Sobre o contato com o novo
MUDANÇAS
Alessandra Moregola (CRP 04/37334)
7/1/20232 min read
Hoje não venho falar sobre do que se trata a história do filme "Elementos" e nem sobre a diversidade, como outros vem comentando e discutindo, apesar de ser peça fundamental desta reflexão.
Este artigo é para falarmos sobre as trocas, os ambientes e como eles nos modificam.
Então vamos começar?
Faísca, é filha de um casal do elemento fogo, e que no decorrer do filme apresenta momentos de grande nível de stress, por tentar gostar do que não gosta e ser quem não é.
Apesar da personagem não ter consciência sobre isso, ela acreditava que este temperamento vamos assim chamar, era algo que precisava ser controlado, como se existisse algo de errado com ela.
Esta tentativa de controle ocorria por alguns motivos (em minha análise):
Desconhecimento de si;
Falta de experiência, que a impossibilitava se conhecer melhor;
Pelo medo ou receio de frustrar seus pais (atender as expectativas de quem a amava);
Como Faísca tinha muita admiração e amor por seus pais, o medo de desagradá-los e não suprir suas expectativas, fez com que ela não percebesse que este "temperamento" na verdade era um uma manifestação, um incômodo de ter que assumir algumas coisas que não queria e não gostava. Ocupar um lugar que não era seu.
Mas tudo muda quando Faísca conhece Gota, um elemento água que vivia em outro núcleo relativamente distante do dela. De acordo com o que aprendeu com sua família e comunidade, água e fogo não deveriam se misturar.
Gota e Faísca apesar disso, por uma necessidade se aproximaram e trocaram experiências ao tentar resolver um problema juntos, e aí meus amigos, a mágica acontece.
Faísca pôde saber mais de si e de suas habilidades que até então eram vistas como algo que precisava melhorar ou controlar a partir do contato com o novo. Um novo elemento com vivência, ponto de vista, crenças e ambientes bem diferentes de tudo que ela experienciou até ali.
A mistura dos elementos (literalmente falando), faz com que ambos se modifiquem, se entendam e se conheçam ainda mais. No caso do filme, deixo que vocês assistam e tirem suas próprias conclusões, mas fico aqui no aguardo para saber sua percepção, ok?
Aliás, Antoine de Saint-Exupéry já dizia que "Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.", e esta frase representa não só o filme mas nossa vida de forma geral.
Quem aqui não se percebeu diferente após conhecer alguém, ou trabalhar em um ambiente muito diferente do que havia tido contato até então?
Sair da nossa bolha, do nosso ciclo, é saudável, natural e necessário. O contato com o outro nos transforma, e aos poucos devemos aprender quais contatos, quais relações, quais ambientes fazem sentido com nossa vida, ou não.
Finalizo esta reflexão com um pensamento do psicoterapeuta e psiquiatra Fritz Perls:
